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Euphorbia heterophylla (leiteiro): Saiba a importância e como a controlar


A planta daninha Euphorbia heterophylla é também conhecida como leiteiro, amendoim-bravo ou café-do-diabo. Apesar de estar disseminada em todo o território brasileiro, prefere solos úmidos e férteis, podendo produzir várias gerações por ano devido ao rápido ciclo reprodutivo.

Caracterizada como uma planta herbácea, ereta, que pode atingir mais de 60 cm de altura, folhas glabras relativamente grandes (até 10 cm de comprimento) e metabolismo fotossintético C4. Se reproduz exclusivamente por sementes, podendo produzir até 3 mil sementes por planta, as quais são liberadas a uma distância de até 3 m da planta mãe. Para uma planta daninha, as sementes apresentam tamanho consideravelmente grande, de 2-4 mm. Isso significa que existe reserva suficiente para a emergência de plântulas, mesmo quando estas se encontrarem em maiores profundidades no solo ou abaixo da camada de palha. São fotoblásticas neutras, ou seja, germinam tanto no escuro, quanto na presença de luz.

Além da competição direta com as culturas agrícolas, plantas de E. heterophylla também são hospedeiras de fitopatógenos, especialmente begomovirus problemáticos para culturas como o tomateiro e maracujazeiro e nematoides como Meloidogyne ethiopica, que são potenciais causadores de danos para culturas como soja, feijão e batata.

Historicamente o leiteiro é uma das principais plantas daninhas presente nas regiões agrícolas do Brasil, principalmente nas culturas anuais. Uma das razões para a grande abrangência na dispersão dessa espécie é a variabilidade genética encontrada em populações de E. heterophylla, considerada elevada em comparação com outras plantas daninhas. Isso significa que, plantas em uma mesma área apresentam características genéticas muito diferentes, fator que favorece a adaptação da espécie em diferentes sistemas agrícolas e, sobretudo, aumenta as chances de seleção de biótipos tolerantes e resistentes a herbicidas.

A rotação e diversificação na utilização de herbicidas com diferentes mecanismos de ação, quando possível, se mostrou muito eficiente para controle dessa espécie. Em qualquer sistema de produção agropecuária, a prevenção e a solução do problema deve ser sempre baseado nos conceitos de Manejo Integrado de Plantas Daninhas, a fim de evitar ou retardar o surgimento de novos casos de resistência.